sábado, 24 de maio de 2014

Do querer me apegar, o desapego
Aprendi a viver amizades efêmeras
efêmeras mas não por isso rasas, intensas num determinado espaço-tempo
As pessoas do meu cotidiano ciclicamente desritimado,
aparecem e desaparecem como mágica (ou eu)
elas deixam saudades
determinam uma época
se tatuam em minhas lembranças
As vezes sinto inveja das pessoas que convivem pra "sempre" com outras
mas não trocaria com ninguém a minha história.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Banco

sentada no banco buscava um abraço
um sorriso
um olhar
um afago
respostas
sentada no banco sonhava...
fiz da tarde, minha noite
dos transeuntes, meus amigos
das minhas vontades, feitos
e do futuro trouxe amor
Sentada no banco fiz da vida, minha vida
     - como se amanhã não houvesse
mas depois de rodar meu filme
vi que minha noite ainda era tarde
e que meu filme tinha outro script
Sinto falta de olhar para o horizonte e imaginar o futuro (que provavelmente em nada se assemelhará ao imaginado). Como sempre.
No lugar do horizonte, da infinitude do mar, tenho um cais, um rio e pontes. Várias pontes... ligando um lado ao outro. Cruzando o rio, cruzando o tempo, levando do lado A ao lado B (ou o oposto) em diferentes pontos. Várias possibilidades que mesmo indicando sentidos opostos vão paralelas em direção ao amanha. Seria isso equivalente a olhar o mar e imaginar o futuro?
Tantas dúvidas, ansiedade... E nesse caracol que se chama vida me encontro mais uma vez em suspenso.
O hoje é cheio de compromissos e o amanhã de incertezas. A vida é sim cheia de incertezas. Mas eu ainda não aprendi a viver o hoje sem sofrer com o amanha.
As vezes gostaria de encontrar o meu eu do futuro e perguntar se meus demônios interiores tem razão de ser... Olhando para o passado percebo que alguns demônios me perseguem há alguns anos e não tenho certeza (ou já deixei de acreditar) que um dia conseguirei deixa-los livres para voarem longe mim.
Invejo a liberdade do vento pois enquanto pedra estou presa ao solo até alguma criança resolver me chutar ou me fazer ricochetear na água.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Nó na garganta

Nó na garganta... Muitos meses vivem agora entalados em mim. De um sonho ao pesadelo de não saber ao certo o que ando fazendo por aqui. A constatação de que os sorrisos - que já eram poucos - praticamente não existem mais; murcharam, ou pior, viraram um sorriso invertido... As circunstancias me colocaram em modo zumbi. Que quando não suporta mais... chora. Eu não sei o que estou fazendo aqui. Vejo a vida desfilando mas só sei que o tempo passa por causa de realizações alheias e dos fios brancos que se acumulam, me deixando cada vez mais "menos cheia de graça". Se a única coisa que ainda contava para mim eram os meus desenhos, nem mais esse alivio eu tenho tido... Para os outros eu tenho tudo, eu tenho muito, eu tenho muita sorte. O que não deixa de ser verdade. Mas gostaria de poder desfrutar da alegria de estar com os outros, da alegria de estar viva. Nada disso faz sentido... só não é pior porque antes "os sorrisos já eram poucos" e eu nunca fui alguém "feliz" ou passeei com essa mascara - que cobiço tanto, nem que seja para me fazer acreditar que não sou alguém tao infeliz assim -.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Eu, coração de pedra, ando amolecido. Efeitos do tempo, efeitos da distância. De criança dócil à adolescente revoltada, embora que tímida. De adolescente revoltada à jovem adulto bizarro e razoavelmente antissocial. De criança que amava muito à um ser estranho a cada gesto de afeto. Não que eu fosse ruim, as circunstância é que me deixaram um pouco dormente. Eu sabia o que eu sentia mas não tinha noção da profundidade e nem da extensão. Eu nadava em mar aberto mas me via numa piscina daquelas em que a gente da pé. Não, eu não tive uma vida cruel e nem passei necessidade mas sofrer pelos outros e/ou por causa deles me deixou marcas... Quais? Medo da entrega, medo da impotência face à despedida, medo das voltas que o mundo dá. E foi justamente numa delas que eu me encontrei sozinha louca por um gesto de afeto, precisando do abraço dos meus pais. Porque se eu sempre me senti sozinha em meio a uma multidão, agora me sinto num deserto sem ter pra quem acenar.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O nível de estresse anda tão elevado que mesmo quando não me sinto irritada sei que um simples bom dia dito por uma pessoa "errada" pode desencadear todo o processo. Ë como se eu estivesse sempre pronta pra briga, mas numa disputa que se limita ao meu plano mental.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Je n'ai pas le mal du pays, j'ai le mal de la vie.
Je me sens déplacée n'importe où je vais.

Antes de nascer eu fui partida em mil pedaços e o vazio que sinto é a falta dos muitos pedaços que ainda não encontrei, dos muitos pedaços que se perderam para sempre. Sou um vaso quebrado, sem conserto e, mesmo que velho, sem história.