quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Depois de muito tempo em silencio, um frenesi em externar o que sinto me acomete...
Depois de tantos altos e baixos - ou de baixos e mais baixos ainda - aterrizei num espaço de perplexidade. Pessoas me fascinavam, me aterrorizavam, mas agora: elas me deixam perplexa. Minha perplexidade é tamanha, que estou mais para reticencias que para meus habituais pontos de exclamação...
Faço teoricamente parte de uma dita elite intelectual artística, mas quanto mais o tempo passa, menos intelectual me sinto e mais perplexa com a academia fico. Esse lugar, que outrora eu considerava mágico, é sujo. Convicções viram verdades indiscutíveis, de doutorandos esnobes a professores que se apoiam em seus títulos para imporem suas OPINIÕES. Discordar ? Isso é para tolos... Ou loucos... Acatar e aguardar a volta que o mundo dá para perpetuar esse ciclo vicioso - que não perpetuarei. Síndrome do pequeno poder... Talvez se eu fosse esnobe e louca, eu caberia mais nesse mundinho.
Ser aspirante a acadêmico em artes é se submeter a subjetividade de uma dita elite de lugar nenhum, é aceitar a subjetividade alheia como verdade absoluta, pessoas ligadas às artes, ou à academia são verdadeiras crianças mimadas, cheias de caprichos... Precisam a todo momento ter o ego polido, pois inflado ele já é, e a ponto de explodir.
Eu ousei desafiar a crença alheia - recuso chamar de ciência tamanha subjetividade - e ganhei um grande berro: CALA-TE! ACATA! SUBMETA-SE!
Onde está a nuança que tanto pregam ao escrever para não ferir espíritos mais sensíveis ou atiçar outros que são combativos? Por que me negam o direito de ter um ponto de vista (diferente) e ignoram minha argumentação?
De tristeza passei a raiva. E da raiva estou passando ao ódio.
Pior do que isso só artistas desprovidos de personalidade... Um dia afirmando A e no outro afirmam B, negando veementemente o passado para não passarem por ignorantes face à colegas que julgam superiores.
A triste verdade é que fui amordaçada... E para sobreviver nesse mundo imundo terei que rezar a reza deles e gritar: AMÉM!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Saudade

A saudade doí.
Quando se esta longe, esquecemos da realidade e a saudade aperta mais. A saudade não é necessariamente do que foi, do que era realmente. A saudade distorce nossos sentimentos e passamos a sentir falta de algo que simplesmente poderia ter sido. A saudade se desdobra em algumas dimensões de possibilidades e doí mais. Ela doí porque já doeria, ela doí de novo pelo que poderia ter sido e ela doí mais uma vez porque tudo não passa de mera ilusão. Ela é grande, doí muito, doí fundo. Ela é um vazio que lagrimas tentam completar. Ela é um pedaço de ausência que só aumenta e se aprofunda a cada tchau, que pode também ser um adeus. Eu lembro de querer saber o que eu sentiria quando ficasse longe, mas nem de perto sonharia com essa dor toda.
não sou branca, sou brasileira.
não sou brasileira, sou filha do mundo.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Finalmente voltando pra casa

Pela primeira vez me senti realmente em casa... Foi um momento um tanto quanto confuso... Uma espécie de déjà-vu um pouco estranha... Era como se eu estivesse (re)vivendo uma memoria, relembrando-a enquanto a vivia pela primeira vez. Era como se eu tivesse lendo um capitulo do meu livro favorito e vivendo-o. Como se a minha historia não fosse escrita por mim, por minhas decisões.
Provavelmente a atmosfera na qual estava imersa - acabara de assistir ao filme The Longest Ride no cinema - influenciou essa sensação e sentimento. Fato é que ja fazia algum tempo que eu não sentia tal miscelânea de sentimentos. Integração, querer viver "certo", profunda tristeza em perceber que tudo é passageiro e uma espécie de alegria nostálgica. Dito assim, poderia parecer que vivi um péssimo momento, mas ele foi genuíno. Genuinamente ordinário, genuinamente simples. Genuíno porque pequenas coisas, instantes, podem nos proporcionar felicidade. A felicidade é uma coisa estranha e as vezes vem acompanhada da tristeza. Talvez a felicidade seja ter, ou permanecer com, a capacidade de sentir.

sábado, 18 de outubro de 2014

Em pensar que esses dois meses de tortura piscológica nao seriam mais que um paragrafo ou uma linha esquecida numa suposta (auto)biografia. A pergunta que ecoa é: por que tanto sofrimento? pra que?

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

domingo, 14 de setembro de 2014

Dos ditados populares à decepção ou o contrário

Quando a vida segue seu curso de maneira estranha ou aparentemente desfavorável é praticamente impossível fugir do velho e batido ditado: "Deus escreve certo por linhas tortas". Longe de mim querer blasfemar - sempre digo que se ele me fez engraçadinha é porque queria que eu fizesse graça - ou ele teve Parkinson ou um AVC enquanto escrevia a minha... Quanto mais paz eu quero, mais tormenta eu enfrento. Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece... Começo a ter medo de ditados... "Quando se esta no fundo do poço não se pode ir mais fundo", sempre dá! Sempre se dá um jeitinho... A gente cava mas chega lá, alias, não chega, continua descobrindo que o buraco é mais embaixo! Mas, se a Terra é redonda, existe luz no fim do poço (que neste caso já seria túnel...).
Eu achava que conhecia a decepção mas descobri que provavelmente conhecia sua versão recém-nascida, e espero não descobrir que ela possa ser maior do que a que já estou sentindo, ou não sentindo...
A decepção se mostrou como um vazio, uma ausência da capacidade de sentir. Eu sei o que me faz sentir nada, mas não sinto. Os sentimentos se anulam. Não há raiva, não há ódio, não há nada, não há... Não há esperança, mesmo sabendo que ela é a última que morre e que brasileiro não desiste nunca.
A vida não é fácil, a vida não é justa. E se Deus dá o frio conforme o cobertor, eu acho que estou com as pernas de fora... Se Ele nunca dá pra gente uma CRUZ maior do que a que a gente possa carregar, Ele se esqueceu de que eu tenho problema de coluna...
Se Deus escreve certo por linhas tortas, eu espero que meu poço seja um túnel, que eu encontre a luz, que eu seja bem brasileira, que a esperança seja a última a morrer mesmo, que meu cobertor comece a me cobrir e que a cruz fique mais leve ou que eu a deixe em algum lugar.